Cafeteria do aeroporto cheia. Senti que alguém puxava meu cabelo. Olhei para trás e vi uma menina linda, em torno de 2 anos, não mais que isso! Imediatamente correspondi à interação. Vendo aquela cena, outra criança, que parecia ser o irmão gêmeo, ficou animado e entrou na brincadeira também. Até que fomos interrompidos pela mãe, notoriamente DESESPERADA. SIM! DESESPERADA! O clima de aeroporto cheio, ela tentando dar conta das malas, do marido, de um filho pré-adolescente, garantir que os gêmeos não sumissem na imensidão e precisando urgente tomar apenas um café.
Depois de 15 minutos de embate, finalmente a mãe conseguiu pedir um lanche e ficar “um pouco” mais livre sem, o marido e o filho mais velho. Ufa! Um café e lanche em paz…
PAZ? É possível ir ao banheiro ou tomar um banho tranquila? ler um livro ou ver um filme sem interrupções? Que mãe consegue sentar e fazer um lanche com calma?
E como você já deve imaginar, aquela mãe do aeroporto, obviamente, não desfrutou de tranquilidade para o tão sonhado café. Ela se dividia entre uma mordida no lanche e uma corrida para resgatar o pequeno Rafael. Um gole de café e os pertences da família já estavam espalhados no chão pela pequena Pietra. E o cenário ficou ainda pior quando a mãe repreendeu as crianças, que passaram a se jogar no chão e chorar como se não houvesse amanhã.
Que sufoco! Ver tudo aquilo e me manter inerte não era opção. Pedi licença, me sentei ao lado dos pequenos no chão (que persistiam com o choro) e comecei a distraí-los para que a mãe pudesse comer seu lanche. Eles acharam aquilo o máximo! Afinal era tudo que eles queriam: ATENÇÃO! Logo se aquietaram e viramos melhores amigos!
A mãe e uma multidão na lanchonete e no aeroporto ficaram boquiabertos com a situação. Da água para o vinho…
2 Lições importantes para se tirar até aqui:
1. Se você se identificou com essa mãe, você precisa pedir ajuda e isso não quer dizer que que você é menos mãe ou pai por isso.
2. Se você presenciar uma cena minimamente semelhante, coloque sua EMPATIA para trabalha. Peça permissão e ofereça ajuda ou simplesmente AJUDE!
Havia mais de 300 pessoas somente naquele vão do aeroporto observando a situação. Muitos poderiam ter feito o mesmo, mas preferiram fingir que não estava vendo, se enfiar nos seus notebooks e celulares, simplesmente julgando a pobre mãe!
Julgamento não muda o mundo! EMPATIA e AÇÃO SIM!
Após finamente conseguir 5 minutos de paz (5 minutos eternos e valiosos) a mãe me deu um longo e demorado abraço e com os olhos marejamos agradeceu.
Quando comecei a escrever esse texto minha ideia era falar o quanto os pais podem se sentir perdidos na criação dos seus filhos. Mas não! Os pais estão vivendo um reflexo dessa sociedade fria e individualista, onde a dor do outro não importa.
Fica um desafio: olhe mais ao seu redor! Preste atenção aos sinais, eles podem dizer muita coisa! Olhe no fundo dos olhos das pessoas, elas podem clamar por socorro mesmo sem falar nada!
Quanto valem 5 minutos?
Para mim valeram a certeza da gratidão de uma mãe e o sorriso de duas crianças.
TEXTO: @schaucoelho







